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  • José Borges de Figueiredo, o investidor que viabilizou a criação da Avenida Paulista

    Posted at 23:42 by Luciana Cotrim, on janeiro 1, 2024

    No antigo número 87 (atual 1106) da Avenida Paulista encontrava-se a residência de José Borges de Figueiredo, um grande investidor do início do século passado. Para que a Avenida Paulista pudesse ser construída e inaugurada em 1891, o português Figueiredo auxiliou na aquisição de chácaras e sítios da região.

    Casa de José Borges de Figueiredo na Avenida Paulista

    Ele foi um dos sócios do engenheiro Joaquim Eugênio de Lima, que idealizou e realizou a obra da avenida. O outro era João Augusto Garcia, que tinha relação com a Prefeitura na época.

    Depois deste casarão

    Edifício Paulista 1.100

    Segundo o jornal o Estado de São Paulo, eles fundaram a “Sociedade Anônima Companhia Viação Paulista. A empresa tratou de adquirir os terrenos e chácaras ali existentes. O objetivo era construir no local uma espécie de vila de luxo para a classe mais abastada, longe das já bem ocupadas áreas como os Campos Elíseos e Higienópolis (..). A avenida Paulista foi entregue oficialmente ao público no dia 8 de dezembro de 1891, com o início do tráfego de bondes”

    Na planta abaixo, com data de 1º de fevereiro de 1892, vemos a divisão de três lotes para os sócios da Chácara da Bella Cintra, que ia até a Alameda Casa Branca. Nesta área existia galinheiro, parreira, jardim, cocheira, plantação de milho, jaboticaba, mandioca, banana e outras árvores frutíferas.

    Fonte: Álbum Iconográfico da Avenida Paulista

    Ainda, para termos uma ideia da área que pertencia a Borges de Figueiredo, a seguir outra área de sua propriedade. A inscrição é “Planta dos terrenos pertencentes ao Snr. José Borges de Figueiredo situados no bairro Caguassú com frente para a Avenida Paulista – S. Paulo”.

    No verso do mapa a descrição “Campos de Paraizo (Chácara Antonio) – Avenida Paulista, Avenida Raphael Barros, Manoel da Nóbrega e Tutoya.

    Além dessas grandes áreas, Borges de Figueredo era proprietária da área onde hoje encontra-se o MASP.

    Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo – Arquivo Aguirra – Museu do Ipiranga

    Em 1897 José Borges de Figueiredo ergueu em um dos lotes da avenida o casarão que seria sua residência. O projeto era dos arquitetos Augusto Fried e Carlos Ekman, responsáveis por vários edifícios antigos de São Paulo. O primeiro, também foi arquiteto do palacete da Paulista pertencente ao dinamarquês Adam Ditrik von Bülow, o qual já contamos a história em um dos primeiros posts da Série Avenida Paulista (que pode ser lido neste link). 

    Na foto abaixo vemos a casa em processo de construção ou quem sabe de uma reforma?  No acervo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP consta um projeto datado de 1915 intitulado “Residência para Sr. José Borges Figueiredo à Avenida Paulista 87”, de autoria de Ramos de Azevedo. Seria uma reforma?

    Para que tenham uma ideia daqueles anos pós inauguração da Paulista, vejam a notícia que foi publicada no jornal Correio Paulistano no dia 21/01/1897, dando conta da reclamação do estrume espalhado por Figueiredo próximo a sua casa na Avenida Paulista. Conseguem imaginar como era?

    José Borges de Figueiredo nasceu em Portugal em 29 de setembro. Casado com   Maria Augusta Figueiredo, que dá nome à Rua Maria Figueiredo. (a história pode ser lida neste link).

    José Borges de Figueiredo

    O casal teve 5 filhos: José Figueiredo Filho, Aurora, Esther, Mario e Celso, cuja história será contata por sua neta, a poeta Flora Figueiredo, no próximo texto.

    Como investidor nato, José Borges de Figueiredo, também foi um dos fundadores do Banco de São Paulo, ­ instituição financeira que em 1973 foi vendida para o Banespa – Banco do Estado de São Paulo que, por sua vez, foi privatizado e vendido para o Banco Santander.

    O prédio que foi a antiga sede do banco fica localizado na Praça Antonio Prado número 9 e na rua 15 de Novembro número 347, no centro da cidade. Projetado em 1935 pelo arquiteto Álvaro de Arruda Botelho e concluído em 1938, trata-se de um dos exemplares mais representativos da linguagem art déco na arquitetura paulistana. Todos, os mais atentos, conhecem sua beleza, imponência e sofisticação.

    Edifício Banco de São Paulo em estilo art-déco. Foto: Bugleader
    Edifício Banco de São Paulo em estilo art-déco. Foto: Bugleader

    O edifício possui dois blocos distintos e interligados, o mais requintado, que está de frente para a praça, possui 18 pavimentos e se destaca pelo emprego de materiais nobres e pelo refinamento artístico dos seus elementos decorativos como pisos, vitrais e luminárias. Atualmente, o edifício é sede daSecretaria de Estado da Juventude, Esportes e Lazer.

    Uma curiosidade sobre José Borges de Figueiredo é que ele foi proprietário de um Rolls Royce Silver Ghost Alpine Eagle, de 1921, que ficou conhecido como o Fantasma de Prata. O carro foi comprado na Inglaterra e sua carroceria encomendada ao Carrozieri Frances Galle e foi montado em São Paulo.

    Rolls Royce Silver Ghost Alpine Eagle. Foto: blog João Simonetti

    Se o casarão da Avenida Paulista foi destruído, ao menos o Rolls Royce a sede do banco que ele fundou não correm risco de desaparecer, ­ já que o imóvel foi tombado pelos órgãos de proteção ao patrimônio e o carro pertence a um colecionador.

    José Borges de Figueiredo faleceu em 28 de outubro de 1920, na sua casa da Avenida Paulista, e mais uma homenagem ao empresário é a Rua Borges de Figueiredo, na Mooca, que leva seu nome.

    Contribua com a Série Avenida Paulista: se tiver uma foto antiga em que este casarão/edifício/local público apareça ou se conhecer alguém que possa fornecer mais informações sobre a residência ou edifício e pessoas relacionadas (família, amigos e outros), entre em contato com a gente. Muito obrigada!

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    Autor: Luciana Cotrim

    Instagram: @serieavenidapaulista Facebook: facebook.com/serieavenidapaulista Use: #serieavenidapaulista
    Postado em Casarões, Sem categoria | 6 Comentários | Marcado Avenida Paulista, Banco de São Paulo, Borges de Figueiredo, Caguassú |

    6 thoughts on “José Borges de Figueiredo, o investidor que viabilizou a criação da Avenida Paulista”

    • Pingback: Na Série Avenida Paulista: histórias da família Borges de Figueiredo | Série Avenida Paulista

    • Avatar de Eloy Câmara Ventura

      Eloy Câmara Ventura

      6 06America/Sao_Paulo janeiro 06America/Sao_Paulo 2024 às 16:33

      Cara Luciana
      Sempre um belo relato de nossa história.
      Meus sinceros cumprimentos.
      Abraços
      Eloy Câmara Ventura
      Membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo
      Convido-a também a visitar a minha página

      CurtirCurtido por 1 pessoa

      Responder
      • Luciana Cotrim

        6 06America/Sao_Paulo janeiro 06America/Sao_Paulo 2024 às 18:06

        Eloy, muito obrigada, visitarei sus página com certeza. Qual o endereço?

        CurtirCurtir

        Responder
        • Eloy Câmara Ventura

          6 06America/Sao_Paulo janeiro 06America/Sao_Paulo 2024 às 21:26

          Prezada Luciana,

          A minha página é Eloy Câmara Ventura.

          Muito Obrigado.

          CurtirCurtir

        • Eloy Câmara Ventura

          7 07America/Sao_Paulo janeiro 07America/Sao_Paulo 2024 às 15:50

          Luciana tem.tambem a pagina dos Imigrantes Alemães na Construção da Sociedade Brasileira, ok? Eloy Câmara Ventura

          CurtirCurtir

    • Pingback: 0 Paulista 1100 era Edifício Elijass Gliksmanis | Série Avenida Paulista

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      A Série Avenida Paulista conta as histórias dos casarões e das famílias que moravam na avenida e, também, dos edifícios que foram  construídos em seus lugares.

      Escrita por Luciana Cotrim, a série conta a história de mais de 80 casarões do século XX e dos edifícios atuais.

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