Série Avenida Paulista
  • Home
  • A Série Avenida Paulista
  • Casarões
  • Edifícios
  • Espaços públicos
  • Contato
  • Baronesa de Arary – O edifício

    Posted at 23:58 by Luciana Cotrim, on abril 4, 2019
    A imagem mostra a fachada do Edifício Baronesa de Arary

    No lugar do palacete da Baronesa Arary foi erguido o polêmico, e cheio de histórias, Edifício Baronesa de Arary, que se configurou como um dos maiores e mais antigos prédios residenciais da Avenida Paulista.

    Antes deste edifício

    Casa da Baronesa de Arary

    Com projeto do arquiteto Simeon Fichel, localiza-se ao lado do Parque Trianon e quase em frente ao Masp, o imóvel possui 559 apartamentos (de diferentes tipos) e cerca de 3,8 mil moradores. O prédio conta com quatro blocos: o Côte d’Azur, o Rajá, o Capri e o Acapulco. São 25 unidades com três quartos no bloco Côte d’Azur, 431 quitinetes nos blocos Rajá e Capri e cem apartamentos de dois quartos no bloco Acapulco.

    O início das obras do Condomínio Residencial Baronesa de Arary foi conclamado nos jornais da época, que anunciavam: “Aproveite estes alicerces para levantar seu lar e suas economias” (edição de 25 de setembro de 1954 de O Estado de S. Paulo). O anúncio afirmava que o imóvel estava “destinado a uma valorização sem precedentes”.

    Sem dúvida, naquela época a Paulista estava mudando de fisionomia. Conforme o jornal, “no lugar dos aristocráticos casarões começavam a ser erguidos os edifícios”. No início vieram os prédios mais luxuosos e depois, os condomínios nos quais conviveriam pessoas de diferentes níveis econômicos, sociais e culturais, como o Baronesa de Arary. A promessa de valorização se concretizou. Até hoje a região é uma das mais nobres da cidade.

    Em outro anúncio, no mesmo jornal, destaca-se a construção do edifício com a seguinte frase nacionalista: “Já começou nosso árduo trabalho para o cumprimento de um honroso compromisso: Entregar à cidade seu mais suntuoso edifício residencial: Conjunto “Baronesa de Arary”. Na parte de baixo, as condições de compra, que seriam facilitadas durante a construção.

    Polêmico e cheio de histórias

    A história do Baronesa, como é chamado o edifício, como publicado na revista Carta Capital, varia “entre brigas entre condôminos, ações judiciais, batalhas internas pelo poder, períodos de prestígio e decadência, deterioração e desapropriação”, que foi contada pelo jornalista José Venâncio de Resende, no livro “Baronesa de Arary – Nobres, Pobres, Artistas, Oportunistas” de 2003.

    “O período de glória foi nos anos de 1960, quando virou ponto de encontro da classe teatral e centro de difusão da alta moda, graças à Casa Vogue”.

    Trecho do livro Baronesa de Arary – Nobres, Pobres, Artistas, Oportunistas “, de José Venâncio de Resende

    A cobertura pertencia ao casal Walmor Chagas e Cacilda Becker, que utilizava o salão de festas para saraus, encontros artísticos e, posteriormente, um salão de debates sobre a censura imposta pelo regime militar. Também residiram lá o também ator Sérgio Cardoso, o pianista Pedrinho Mattar e Elke Maravilha.

    Sergio Cardoso em seu apartamento no Baronesa de Arary
    Revista Manchete, 1969, Edição 891

    Depois dos anos 70 o edifício caiu em deterioração, tornando-se residência de prostitutas, camelôs e assaltantes, ficou conhecido como o Cortição ou Treme-Treme da Paulista. O prédio chegou a ser interditado em agosto de 1993, na gestão do Prefeito Paulo Maluf, por falta de segurança e por colocar em risco de blecaute a avenida Paulista.

    Segundo o Contru (Departamento de Controle de Uso de Imóveis), que inspecionou o edifício, toda a parte elétrica do prédio funcionava com gambiarras e clandestinamente, não havia extintores e mangueiras contra incêndio funcionando, o lixo se acumulava nos corredores, não havia iluminação de emergência e os elevadores estavam desligados. Todos os apartamentos foram lacrados e os moradores, obrigados a se alojar em outros lugares. A interdição terminou apenas em 1998.

    Mais uma curiosidade da história do Baronesa: o edifício foi tela para TCHENTCHO®, ou Mauro, que deixou sua marca lá. Ele foi um dos mais conhecidos pichadores da história da cidade de São Paulo nos anos entre 1980 e 1990. Quem lembra dessa época, vai lembra que pichação era crime e tudo era feito na calada da noite, bem na surdina. Como será que ele chegou ao topo do edifício?

    Pichação do TCHENTCHO® nos anos 1980

    Depois disso, uma proprietária de vários apartamentos resolveu ser síndica do edifício. E assim permaneceu por vários anos. As brigas e controvérsias também continuaram com os condôminos opositores de sua gestão.

    Em 13 de dezembro de 2013, a Revista Veja São Paulo publicou: “tumulto em eleição para síndico termina na delegacia. Alegando fraudes, grupo de condôminos do Baronesa de Arary, na Paulista, contesta a atuação da família que se reveza no posto administrativo há mais de uma década”.

    Infográfico: Veja São Paulo, 2013

    Esses condôminos que se opunha à administração do prédio, se uniu e formaram um grupo nomeado de Nova Baronesa, que se manifestava por meio de um blog e uma página no Facebook.

    A descrição da página dizia: “Desde que o Conjunto Residencial Baronesa de Arary foi inaugurado na década de 50, ele foi palco de muitas histórias e polêmicas. Em pleno século 21, continuamos vivendo um mini retrato de Brasília aqui no coração de São Paulo. A Nova Baronesa é uma chapa criada por moradores cansados desse cenário e que acreditam em um país transparente e igualitário. Inspirados pelo grito de milhões de brasileiros nas ruas por um novo Brasil, nossa chapa marca o início de um novo tempo nesse edifício com mais de 3.000 moradores e milhões de histórias para contar. Nos ajude a compartilhar e escrever essa nova história!”

    “Continuam pagando R$ 1.000,00/mês para ‘pentear’ um gramado que praticamente não existe.” Foto de Jurandir Rodrigues em 08/01/2014

    Parece que a iniciativa do grupo não foi para frente e a polêmica permaneceu até 2018.

    Não podíamos esquecer de mencionar que, em maio de 2011, foi inaugurada, embaixo do edifício, uma Loja Marisa, a segunda na avenida com um espaço de 1.060 metros quadrados. Vejam que o portão do prédio é integrado à fachada da loja. Até hoje os moradores reclamam que a Marisa prometeu, e não fez, uma rampa no degrau que existe na portaria do edifício.

    Fachada da Loja Marisa abaixo do Edifício Baronesa de Arary
    Foto: Rodrigo Capote/Folhapress

    Um MasterChef candidato a síndico

    Para encerrar, a mais nova curiosidade do edifício: no fim de 2018, um morador famoso, cansado das questões do condomínio, lança sua candidatura a síndico: o chef de cozinha Henrique Fogaça, proprietário dos restaurantes Sal Gastronomia, Cão Véio e Jamille, além de jurado e apresentador do programa MasterChef Brasil, que até folhetos para divulgação e apresentação foram distribuídos no prédio.

    No dia da escolha do novo síndico, a empresa que administra o condomínio, cancelou a assembleia e 80 moradores se reuniram na praça Alexandre Gusmão e conclamaram Fogaça o novo síndico, mas a empresa entrou na justiça e o caso foi parar na polícia. 

    Moradores do condomínio Baronesa de Arary se reuniam na praça Alexandre Gusmão após assembleia de condomínio ser cancelada
    Foto: Reprodução

    Fogaça diz ao jornal Agora: “Tem 3.000 pessoas aqui, [o prédio] arrecada bastante dinheiro por mês, mais de R$ 300 mil”, continua ele, que defende a redução do custo do condomínio pelo número imenso de pessoas que há no prédio. “E falta uma pintura no prédio, um acabamento melhor, dependência de funcionários melhor, a garagem melhor.”

    Chef Henrique Fogaça na frente do prédio Baronesa de Arary, onde pretende ser síndico
    Foto: Rivaldo Gomes/ Folhapress

    “Resolvi concorrer a síndico, porque tem várias pessoas da oposição aqui nesse prédio lindo, emblemático, maravilhoso, onde a vista é demais. Só que essa gestão já está há 18 anos no poder e poderíamos ter (um valor mensal de condomínio) bem melhor”

    Chef Henrique Fogaça

    Foto: Gabriel Cabral

    Realmente o Baronesa de Arary tem muitas histórias e polêmicas para contar, vamos acompanhando…. E vida que segue.

    No mês de julho de 2019, o reinado dos síndicos do Baronesa de Arary chegou ao fim. Fogaça foi eleito o novo síndico. A Revista Veja publicou

    Após duas tentativas frustradas, Fogaça é eleito síndico de condomínio

    Chegou ao fim, nesta segunda (15), uma longa novela para os moradores do condomínio Baronesa de Arary, localizado na Avenida Paulista. No epicentro do caso estava a até então administradora do prédio e o chef Henrique Fogaça, opositores em uma eleição de síndico. O caso rendeu uma dupla de assembleias que acabaram em barraco, confusão e, por fim, anulação do pleito.

    A situação mudou apenas na noite de ontem, quando Fogaça acabou escolhido para comandar a gestão do edifício após votação acirrada. O cozinheiro ficou com 52% dos votos contra 48% de seu concorrente, ligado ao grupo atualmente na gestão do endereço. O novo síndico do pedaço deve cumprir mandato de um ano com direito a reeleição, caso deseje.


    Antes deste edifício

    Baronesa de Arary – O Casarão

    Conheça a mansão projetada por Victor Dubugras e construída em 1916.

    Compartilhe isso:

    • Compartilhar no X(abre em nova janela) X
    • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
    Curtir Carregando...

    Relacionado

    • ← Baronesa de Arary – O casarão
    • A casa do Ministro Rocha Azevedo – parte 1 – A família →
    Avatar de Desconhecido

    Autor: Luciana Cotrim

    Instagram: @serieavenidapaulista Facebook: facebook.com/serieavenidapaulista Use: #serieavenidapaulista
    Postado em Edifícios | 5 Comentários | Marcado Baronesa de Arary, Cacilda Becker, Cortição, Edifício Baronesa de Arary, Elke Maravilha., Henrique Fogaça, MasterChef Brasil, Pedrinho Mattar, Sérgio Cardoso, Simeon Fichel, TCHENTCHO®, Treme-Treme da Paulista, Walmor Chagas |

    5 thoughts on “Baronesa de Arary – O edifício”

    • Avatar de antonio carlos

      antonio carlos

      16 16America/Sao_Paulo julho 16America/Sao_Paulo 2020 às 18:44

      foi reeleito agora… e atualmente a administradora é a BRCondos

      CurtirCurtir

      Responder
      • Luciana Cotrim

        16 16America/Sao_Paulo julho 16America/Sao_Paulo 2020 às 22:08

        Que boa noticia!!!

        CurtirCurtir

        Responder
    • Avatar de Tiago

      Tiago

      27 27America/Sao_Paulo janeiro 27America/Sao_Paulo 2022 às 02:28

      Dizer que esse prédio é lindo, o Fogaça foi longe demais na afirmação.

      CurtirCurtir

      Responder
    • Avatar de Brock R

      Brock R

      17 17America/Sao_Paulo novembro 17America/Sao_Paulo 2022 às 07:02

      Thhanks great blog post

      CurtirCurtido por 1 pessoa

      Responder
    • Avatar de DALVA MOLON

      DALVA MOLON

      25 25America/Sao_Paulo agosto 25America/Sao_Paulo 2024 às 20:57

      Fiquei de boca aberta ver tal o tamanho do prédio…..como pode morar tantas pessoas, juntas num prédio na Paulista?

      Estaria bem colocada na xina….Em Pequim…..🙏🙏🙏

      CurtirCurtir

      Responder

    Deixe um comentário Cancelar resposta

    • Sobre

      A Série Avenida Paulista conta as histórias dos casarões e das famílias que moravam na avenida e, também, dos edifícios que foram  construídos em seus lugares.

      Escrita por Luciana Cotrim, a série conta a história de mais de 80 casarões do século XX e dos edifícios atuais.

    • Redes Sociais

      • Facebook
      • YouTube
      • Instagram
    • Categorias

      • Casarões (83)
      • Edifícios (59)
      • Locais públicos (12)
      • Sem categoria (51)
    • Pesquisar no site

    • Posts recentes

      • Azem Azem na Avenida Paulista
      • O clássico Edifício Savoy na Paulista
      • Anos de Natal na Paulista
      • O atelier de Dener na Avenida Paulista
      • O edifício Louis Pasteur na Avenida Paulista
    • Tags

      Abelardo Riedy de Souza Alameda Ministro Rocha Azevedo Antonieta Chaves Cintra Gordinho Antonio Pereira Ignácio Arquitetura Modernista Assad Abdalla Augusto Fried Avenida Paulista Banco Real Baronesa de Arary Boutique Madame Rosita Burle Marx Casa Bento Loeb Casa Loeb Castellabate Club Homs Colégio Pais Leme Colégio São Luís Conjunto Nacional Correa Galvão Dante Alighieri Demétrio Taufik Camasmie Edifício Anchieta Edifício Barão de Itatiaya Edifício do Banco Central Edifício Grande Avenida Edifício Grande Ufficiale Evaristo Comolatti Edifício Safra Eloy Chaves FAACG Família Cardoso de Almeida Família Rocha Azevedo Flora Figueiredo Gymnasio Anglo-Brazileiro Gymnasio Anglo-Latino Herculano de Almeida Prado Corrêa Galvão Homs Horácio Berlinck Cardoso Horácio Sabino Igreja São Luís do Gonzaga IRFM Jardim América Jayme Loureiro João Baptista Scuracchio João Dente Luigi Perroni Malta & Guedes Manifestações MASP Matarazzo Ministro Rocha Azevedo Moyses Miguel Haddad Nagib Salem Palacetecamasmie Palacete Casmamie Parque Mário Covas Paulo Mendes da Rocha Ramos de Azevedo René Thiollier Restaurante America Revolta Paulista Rino Levi Arquitetos Rocha Azevedo Rodolfo Crespi Rua Augusta Santander serieavenidapaulista Sidonio Porto Série Avenida Paulista Taufik Camasmie Trianon Victor Dubugras Villa Fortunata Villa Matarazzo
  • Arquivos

    • julho 2025 (1)
    • janeiro 2025 (1)
    • dezembro 2024 (1)
    • agosto 2024 (1)
    • julho 2024 (1)
    • abril 2024 (1)
    • março 2024 (3)
    • fevereiro 2024 (3)
    • janeiro 2024 (8)
    • dezembro 2023 (1)
    • novembro 2023 (2)
    • outubro 2023 (1)
    • julho 2023 (4)
    • abril 2023 (1)
    • janeiro 2023 (1)
    • setembro 2022 (1)
    • julho 2022 (2)
    • junho 2022 (1)
    • maio 2022 (3)
    • abril 2022 (4)
    • março 2022 (1)
    • fevereiro 2022 (2)
    • janeiro 2022 (2)
    • dezembro 2021 (2)
    • novembro 2021 (1)
    • outubro 2021 (2)
    • setembro 2021 (4)
    • agosto 2021 (2)
    • julho 2021 (2)
    • junho 2021 (1)
    • maio 2021 (3)
    • abril 2021 (3)
    • março 2021 (4)
    • fevereiro 2021 (4)
    • janeiro 2021 (7)
    • dezembro 2020 (2)
    • outubro 2020 (2)
    • setembro 2020 (2)
    • agosto 2020 (1)
    • julho 2020 (3)
    • junho 2020 (1)
    • maio 2020 (1)
    • março 2020 (2)
    • fevereiro 2020 (5)
    • janeiro 2020 (3)
    • dezembro 2019 (1)
    • novembro 2019 (4)
    • outubro 2019 (4)
    • setembro 2019 (5)
    • agosto 2019 (6)
    • julho 2019 (7)
    • junho 2019 (6)
    • maio 2019 (9)
    • abril 2019 (2)
    • março 2019 (4)
  • Follow Série Avenida Paulista on WordPress.com
    • Facebook
    • YouTube
    • Instagram

Crie um site ou blog no WordPress.com

  • Comentário
  • Reblogar
  • Assinar Assinado
    • Série Avenida Paulista
    • Junte-se a 87 outros assinantes
    • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
    • Série Avenida Paulista
    • Assinar Assinado
    • Registre-se
    • Fazer login
    • Copiar link curto
    • Denunciar este conteúdo
    • Ver post no Leitor
    • Gerenciar assinaturas
    • Esconder esta barra
Carregando comentários...
  • Privacidade e cookies: Esse site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.
    Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte aqui: Política de cookies
  • %d