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  • Conjunto Nacional, o primeiro grande arranha-céu da região

    Posted at 00:06 by Luciana Cotrim, on dezembro 11, 2019

    Em 2018, o Conjunto Nacional completou 60 anos de existência. resultado do processo de urbanização da Avenida Paulista na década de 1950, foi o primeiro grande arranha-céu erguido na região do bairro dos Jardins, em São Paulo. Comprado em 1952 pelo empresário argentino, José Tjurs, em decorrência do falecimento do até então proprietário, Horácio Sabino, o imóvel passou por profundas transformações.

    Antes deste edifício

    O palacete de Horácio Sabino – Parte 1 e Parte 2


    A primeira e mais desafiadora para a época foi a pavimentação de todo o terreno, anteriormente, a maior chácara da região, e a segunda, a demolição de um palacete datado do início do século XX. A substituição se deu pelo maior shopping da América Latina, outrora, refúgio da elite paulistana.

    Sua história é contada em seu site, do qual descrevemos alguns trechos abaixo.

    “Começa em 1952, quando José Tjurs compra a mansão que pertencia à família de Horácio Sabino. Nasceu dos sonhos deste argentino a ideia de criar o Conjunto Nacional.  O empresário queria ver a Paulista tornar-se a Quinta Avenida de São Paulo. 

    José Tjurs – Revista Manchete Ano 1967

    Para concretizar o audacioso empreendimento, Tjurs realizou uma espécie de concurso para a elaboração do projeto, que teve a participação de diversos arquitetos. Para surpresa dos concorrentes, foi escolhido o projeto de David Libeskind, de apenas 26 anos, recém-formado e quase desconhecido.”

    Sobre o arquiteto, Fernando Viégas, afirma que “provavelmente, um arquiteto com 26 anos só conseguiria conceber um projeto desta qualidade se estivesse interpretando um desejo coletivo”. Um desejo de uma Paulista e de uma São Paulo moderna. Foi assim que aconteceu…

    Desenho do projeto de David Libeskind e maquete do Conjunto Nacional

    O projeto tinha inúmeras inovações do ponto de vista arquitetônico que tentaremos expor na série de fotos do Conjunto Nacional, da época de sua construção, no início da década de 1950. Todas as imagens são do acervo de David Libeskind:

    A construção do Conjunto Nacional foi iniciada em 1955 e trouxe para a cidade muitas modernidades para a época. Uma grande novidade foi a cúpula geodésica de alumínio, erguida no meio do Conjunto Nacional, que foi construída pelo engenheiro Hans Eger.

    Observe as etapas de construção na galeria:

    Concluída em 1958, a ampla superfície horizontal cobria todo o andar térreo e formava uma espaçosa galeria. Dela saiam quatro largos corredores. Todo o conjunto formava uma praça de 1.600 metros quadrados, com acessos pela Avenida Paulista, Rua Augusta, Rua Padre João Manoel e Alameda Santos.

    Inauguração do Conjunto Nacional em 1958

    O site conta que “em sua fase inicial, o edifício instalou duas de suas escadas rolantes no centro comercial, consideradas as mais recentes a serem instaladas no Brasil. Em seguida são inaugurados o Cine Astor e o restaurante Fasano, registrados como os points mais requisitados da história da cidade, e quando concluída, a construção recebeu em seu topo, o letreiro e o relógio da montadora de automóveis Willys.”

    Visão externa do Conjunto Nacional na década de 1960, com as mesas do Restaurante Fasano na calçada, o jardim de inverno no andar superior e o relógio e a grande placa da Willys

    “Em 1958, o Fasano abriu o seu luxuoso restaurante no mezanino, onde se realizavam os famosos jantares dançantes, e o requintado jardim de inverno, logo eleito o melhor e o mais elegante salão de festas da cidade, com capacidade para duas mil pessoas. Com mesas espalhadas pela ampla calçada da Avenida Paulista, o local fervilhava de gente dia e noite.  O Fasano era palco obrigatório dos grandes nomes da música internacional que visitavam São Paulo, como Nat King Cole, Roy Hamilton e Marlene Dietrich.”

    O local também era muito utilizado pela área da moda, sendo muito fotografado para campanhas de lançamento de coleção.

    Em 1962, as torres estavam prontas: com 80 metros de altura e 120 mil metros quadrados de área construída, os três imponentes edifícios de 25 andares. É surpreendente saber que lá existe um edifício residencial, chamado Guayupiá, com apartamentos de 180 a 890 m². Imaginem morar na Paulista com Augusta, no 24º andar, em um apartamento de 800 m²? O máximo de paulistanidade.

    Vista aérea da construção dos edifícios.
    O Conjunto Nacional, em construção, em fotografia tirada da subida da Rua Augusta.

    Além dele, existem os dois prédios comerciais, já bem conhecidos: o Horsa I, para pequenos escritórios e consultórios, e o Horsa II, para empresas de grande porte. O setor para empresas tem mais 61 mil m² e contempla a galeria com um centro de compras e serviços, considerado na época o primeiro shopping center da América Latina e o maior da América do Sul. O site do Conjunto Nacional afirma que:

    “O projeto era característico da arquitetura brasileira daquela época, com ênfase no terraço-jardim e nos pilotis. A composição arquitetônica era basicamente formada por duas lâminas: uma horizontal, para uso comercial, que ocupava toda a área do terreno, e outra, vertical, de apartamentos. Separando as duas lâminas, havia os pilotis que se apoiavam sobre o terraço-jardim que serve de cobertura de toda a área comercial. Além dos pilotis, nesse terraço foram projetados um salão de festas e uma cúpula geodésica para abrigar o conjunto de rampas e elevadores do hall central”.

    A arquiteta Helena Saia, especialista em restauro histórico, destaca para a Folha de São Paulo, “o prédio como um dos poucos da cidade a ter preocupação com o entorno. Projetado na década de 50 por David Libeskind, tem o térreo aberto à passagem de pedestres e, desde o início, integra atividades comerciais, residenciais e de serviço”.

    A beleza das rampas e escadas na galeria, em estilo moderno, com iluminação indireta das janelas e cúpula, materializaram o espirito paulistano da década de 1950 e se tomaram até hoje um ícone na cidade.

    Cojunto Nacional – Revista Manchete Ano 1982
    Fotos da esquerda: acima Danilo Verpa e abaixo Kathia Shieh, à direita, Daniel Lima.

    O Conjunto Nacional abrigou o Cine Astor, inaugurado em 1961, eleito o mais luxuoso e o mais moderno cinema da cidade, que viveu tempos de glória e decadência até ser desativado, em 2001.

    Fundada em 1947, a Livraria Cultura abriu sua primeira loja no Conjunto Nacional em 1969.

    Livraria Cultura – Fonte: Revista Manchete

    A área do Cine Astor permaneceu isolada por seis anos, até que a retirada dos tapumes fez surgir a nova unidade da Livraria Cultura. Atualmente, a livraria ocupa um espaço de 4.300 m² distribuídos por três pisos. Suas prateleiras reúnem livros, CDs, DVDs, gibis, vinis raros, além de alguns itens de papelaria e acessórios para eletrônicos.

    Outro ícone de uma época foi o relógio do Itau. Segundo o site São Paulo para Curiosos, o “relógio foi construído na cobertura do Conjunto Nacional em 1962, ano em que o projeto do prédio, inaugurado em 1955, foi concluído.

    O relógio luminoso de 2.800 lâmpadas incandescentes de 150 watts cada foi projetado por João Paulo Caponi com desenvolvimento do engenheiro eletrônico Paul Bulttazi.

    À época, a Willys-Overland, empresa automotiva que fabricava o Aero-Willys, comprou o espaço e exibiu a marca ao lado do horário – o alcance era de 12 quilômetros. Cinco anos depois, em 1967, a empresa foi comprada pela Ford e, consequentemente, o letreiro também foi modificado. Lá a Ford ficou por nove anos quando perdeu a concorrência para o Itaú, em 1976.”

    Depois deste período glamoroso, veio uma fase de grande decadência se iniciou a partir do incêndio que ocorreu na madrugada da 4 de setembro de 1978. O Conjunto Nacional se transformou em um grande cortiço malcuidado, que abrigaria contrabandistas, botecos sujos e agenciadoras de garotas de programa.

    No texto “Conjunto Nacional: O Gigante da Paulista”, Marcelo Testoni afirma que o Conjunto Nacional:

    “já foi um reduto do tráfico organizado e hoje ocupa o posto de edifício modelo, abrigando em seu interior, apartamentos residenciais, lojas de departamento, agências bancárias e até um espaço cultural, reservado às exposições de arte e a conscientização ambiental.

    Outra reviravolta aconteceu nos anos 1990 após a mudança de administração do condomínio. Reformas revitalizariam sua infraestrutura e empresas e prestadoras de serviços sentiram-se atraídas pelo lugar. Além disso, novas áreas de lazer e entretenimento, como as salas para mostras de pintura e arquitetura e uma academia esportiva foram disponibilizadas à população.”

    Fachada do Conjunto Nacional. Foto: Daniel Ducci

    Hoje o conjunto Nacional abriga um sem números de iniciativas culturais oferecidas à população, são exposições, shows, lançamentos de livros, visitas monitoradas e nele circulam milhares de pessoas todos os dias.

    Em 2018, ano em que completou 60 anos de existência, veio uma grande novidade: chegou ao seu mezanino, que um dia foi ocupado pelo Fasano, o famoso clube de jazz de NY, o Blue Note. Segundo a revista Veja, da época, “o negócio, com investimento estimado em 3,2 milhões de reais, ocupará um salão de 800 metros quadrados. A abertura está prevista para o fim de dezembro”.

    A vista para a Avenida Paulista: prédios, carros e pedestres. Foto: Marcelo Justo/Veja SP
    Blue Note - Sao Paulo - Iluminacao externa
    Entrada do Blue Note. Foto;: Power Lume

    Nossa homenagem aos 60 anos deste belo ícone paulistano, que faz da Avenida Paulista, a mais querida avenida da cidade é uma seleção de fotos da fotógrafa Márcia Inês Alves, realizadas em 1991, pertencentes ao acervo do Itaú Cultural.

    E para finalize uma imagem atual e bem conhecida da fachada do Conjunto Nacional.

    Flickr_Wilfredo_Rodríguez 


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    Autor: Luciana Cotrim

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    Postado em Edifícios | 2 Comentários | Marcado Blue Note, Cine Astor, Conjunto Nacional, David Libeskind, Fasano, Horácio Sabino, Horsa, Horsa I, Horsa II, Livraria Cultura |

    2 thoughts on “Conjunto Nacional, o primeiro grande arranha-céu da região”

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      A Série Avenida Paulista conta as histórias dos casarões e das famílias que moravam na avenida e, também, dos edifícios que foram  construídos em seus lugares.

      Escrita por Luciana Cotrim, a série conta a história de mais de 80 casarões do século XX e dos edifícios atuais.

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